Dois lobos e a autocrítica

Entenda a metáfora dos dois lobos e como a autocrítica pode impactar sua vida.

Dois lobos e a autocrítica

Introdução à história dos dois lobos

Existe uma história antiga geralmente atribuída a povos indígenas que talvez você já tenha ouvido em algum momento. Mas eu quero te pedir um pouco de paciência, porque ela vale a pena ser contada de novo.

Um avô estava conversando com seu neto quando disse: “Dentro de cada um de nós existem dois lobos. Eles estão em constante luta.”

O neto, curioso, perguntou como esses lobos eram. O avô explicou que um deles representava tudo aquilo que há de mais difícil em nós: raiva, inveja, culpa, medo, ressentimento… Enquanto o outro representava o oposto: amor, esperança, generosidade, paz, alegria.

O menino então fez a pergunta mais importante: “E qual dos dois vence?” O avô respondeu: “Aquele que você alimenta.”

Histórias simples têm esse efeito curioso. São simples e complexas ao mesmo tempo. 

A voz interna e a autocrítica

Quando você traz isso para o campo da vida real, a coisa complica um pouco. Principalmente quando a gente começa a olhar para a forma como fala consigo mesmo.

Muitos pacientes que chegam até mim não percebem, pelo menos não de início, o quanto existe uma voz interna que influencia nosso humor. Uma voz por vezes julgadora. Às vezes ela aparece de forma sutil: “poderia ter sido melhor…” Outras vezes nem tanto: “você estragou tudo de novo.”

E aqui tem um ponto importante que costuma passar despercebido: as pessoas não se criticam à toa. Na maioria das vezes, existe uma lógica por trás disso. Uma tentativa de melhorar e de evitar erros. Ou seja, essa voz tem uma função para estar ali.

A autocrítica, quando bem direcionada (equilibrada), nos ajuda sim a ajustar a rota e corrigir comportamentos, podendo inclusive ser uma ferramenta importante de desenvolvimento.

Massssssssss na prática a história é diferente. Com o tempo, essa voz pode começar a tomar mais conta e ser mais crítica, impactando no seu dia a dia, nas decisões, nas relações… Cada aspecto da sua vida começa a ser avaliado por essa lente.

  • Erros ganham um peso desproporcional.
  • Acertos são relativizados (“foi sorte”, “qualquer um faria”).
  • Os elogios são descartados.

A autocrítica deixa de ser uma ferramenta e passa a definir quem você é. Muitas pessoas aprendem a se criticar dessa forma ao longo da vida. Ambientes muito exigentes, críticas constantes, afeto condicionado a desempenho. A autocrítica passa a ser uma forma de proteção, para não sofrer essas consequências aversivas, eu mesmo me critico e arrumo o que tem que ser arrumado.


Refletindo sobre os lobos

Agora volta comigo para a história dos lobos. Porque talvez aqui ela comece a fazer mais sentido. Quando você se pega repetindo esse tipo de pensamento… quando sua atenção vai quase automaticamente para o erro, para a falha, para o que “não foi suficiente”… quando você ignora ou minimiza qualquer coisa que contrarie essa narrativa… Você está alimentando um dos lobos.

De forma consistente. E o outro? O outro lobo não vai morrer, mas ele pode ficar tão faminto e sem energia que você nem encontra ele mais. Ele aparece quando você reconhece algo que fez bem. Quando você sustenta um elogio sem desconversar. Quando consegue olhar para um erro sem se atacar. Mas, se isso acontece pouco… ele vai ficando fraco.


A importância do equilíbrio

A questão aqui vai muito além de parar de se criticar. Nosso olhar deve estar na proporção disso na sua vida. Ou quanto espaço essa voz ocupa? Ela te ajuda a se mover… ou te mantém parado no mesmo lugar?

Porque existe uma diferença importante entre:

  • “errei aqui, posso fazer diferente na próxima vez”
  • “isso só prova que eu sou insuficiente.”

No fim das contas, a história dos dois lobos não é sobre eliminar um deles. Ela é sobre perceber o que você tem feito, repetidamente, muitas vezes sem notar.

Então a pergunta do milhão: qual lobo você tem alimentado mais?

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