Resposta longa:
No século XX dois pesquisadores fizeram um experimento (Ader e Cohen, 1975) onde
administraram uma droga imunossupressora associada a água adoçada com sacarina a
ratos, resultando no condicionamento do sistema imunológico ao sabor da sacarina. Em
outras palavras, quando a água passou a ser administrada sem a substância (apenas com a
sacarina), o efeito imunossupressor continuou.
Isso deu origem a psico-neuro-endócrino-imunologia (eita nome grande!), que propõe a
interação entre o sistema nervoso central, imunológico e o endócrino; e suas implicações
sobre a capacidade do organismo em manter-se saudável após eventos estressores.
Atualmente, esta perspectiva teórica (PNEI) tem sido utilizada para entender como eventos
estressores (ex. desemprego, divórcio ou morte de ente querido), associados a
características e estados psicológicos (ex. humor triste, isolamento social, ansiedade),
repercutem na resposta do sistema imunológico e à susceptibilidade à doença.
Os cientistas esperavam que, com o passar do tempo e das injeções, os ratos associassem
o simples ato de tomar água + sacarina com um mal estar, sem a ciclofosfamida. Mas o que
eles não esperavam é que diversos ratos começaram a morrer. Eles constataram que a
droga que estavam usando para dar náuseas nos ratos também suprimiu seu sistema
imunológico. Em particular, diminuía o número de células-T, células do sistema imunológico
que combatem vírus e infecções, ao circularem pelo organismo. Mas não para por aí, Ader
percebeu que, apenas a administração de água com sacarina (sem a medicação
imunossupressora), estava diminuindo o número de células-T na corrente sanguínea dos
ratos.
Outra evidência empírica desta relação foi um estudo realizado com um grupo de pacientes
reumáticos. No primeiro, os sujeitos apresentavam uma predisposição genética para artrite
reumatóide; 20% eram portadores da doença e os 80% restantes não tinham anticorpos
característicos de artrite reumatóide (IgH) ou apresentavam autoanticorpos envolvidos para
o desenvolvimento da doença; já no segundo, os indivíduos eram normais.
No primeiro grupo os sujeitos com autoanticorpos que estavam em condições emocionais
favoráveis (isto é, sem ansiedade, humor deprimido, satisfeitos com o trabalho e com suas
relações interpessoais), não manifestaram os sintomas. Comprovando que o bem estar
psicológico funciona como uma proteção a um marcador biológico.
Pode-se inferir, portanto, que sujeitos com perfil mais introvertido, pessimista, com pouco
suporte social (contatos interpessoais) e estratégias de enfrentamento mais repressivas,
evitantes e/ou de negação, tendem a apresentar mais sintomas físicos, em decorrência da
alteração do sistema nervoso resultar em imunossupressão (menor eficácia do sistema
imunológico).
Resumo da ópera: aprenda a cuidar do seu estresse.