O que você e uma vaca tem em comum?

O que você e uma vaca tem em comum?
Sem dúvida alguma um dos termos que mais me chama atenção na psicologia é o que vou lhes explicar nesse blog. 

Existe um processo que quem já teve algum contato com ambiente rural provavelmente já observou: a vaca passa um tempo comendo capim, engole o alimento e depois regurgita parte dele para mastigar novamente. Esse processo acontece principalmente quando ela está descansando. Ou seja, ela traz o alimento de volta à boca e mastiga outra vez, quebrando melhor as partículas para facilitar a digestão. 

1. Comer → 2. Vomitar → 3. Mastigar novamente. 

Fica ali, literalmente remoendo. Esse comportamento recebeu o nome de RUMINAÇÃO. E alguém, em algum momento da história, percebeu que nós humanos fazemos algo estranhamente parecido (mas no nível cognitivo, mental). 

Em psicologia, ruminar significa ficar preso em uma sequência repetitiva de pensamentos, geralmente voltados para algo negativo que aconteceu. Uma conversa que não saiu como você gostaria, uma decisão que você acredita ter tomado errado, um comentário que ficou ecoando na cabeça por dias… 

A mente pega esse episódio e começa a voltar nele repetidamente. 

1. Você pensa sobre o que aconteceu → 2. Depois revisita os detalhes tentando entender melhor → 3. Depois volta mais uma vez tentando descobrir exatamente onde errou. 

Quando percebe, já está remoendo mentalmente o mesmo evento há horas (às vezes dias).

Voltando às vacas por um instante… 

Quando elas ruminam, existe uma função muito clara nisso: quebrar melhor o alimento para facilitar a digestão. É um processo biológico útil e necessário evolutivamente. Na mente humana, entretanto, a coisa é um pouco mais complicada. Porque quando alguém começa a ruminar pensamentos, normalmente existe uma tentativa implícita por trás disso. Uma tentativa de entender perfeitamente o que aconteceu. Como se, ao analisar o episódio de todos os ângulos possíveis, fosse possível finalmente chegar a uma explicação completa. Algo como: se eu entender exatamente onde errei, talvez eu consiga garantir que isso nunca mais aconteça. 

Em outras palavras uma falsa sensação de controle. 

A mente acredita que, se continuar pensando um pouco mais, talvez encontre o detalhe que ainda faltava e que resolveria tudo. Talvez descubra a frase perfeita que deveria ter sido dita naquela conversa ou identifique o momento exato em que tudo começou a dar errado. 

O problema é que esse tipo de análise raramente termina. Porque cada vez que você revisita a situação, novos detalhes aparecem e novas interpretações surgem, bem como outras perguntas são levantadas. 

E assim o pensamento volta novamente. 

Novamente. 

E novamente. 

Ao passo que seu humor piora, a sensação de culpa e frustração aumentam e o episódio parece cada vez maior dentro da cabeça. 

Se uma vaca parar de ruminar isso pode ser sinal de que algo não está funcionando bem no sistema digestivo dela. Já no caso dos seres humanos o problema é justamente o contrário quando a ruminação acontece demais. E talvez aí que reside essa curiosa semelhança entre você e uma vaca: ambos são capazes de passar bastante tempo remoendo coisas. A diferença é que, para a vaca, isso ajuda a digerir o alimento. E para você, só serve para causar sofrimento e uma falsa sensação de controle.

Gostou do conteúdo? Se identificou com algo que leu? Agende uma conversa.

Falar no WhatsApp

Compartilhar nos Stories