Comer, dormir e ter relações sexuais. Poderíamos resumir a experiência de diversos
animais dessa maneira. Até um certo ponto, provavelmente a humanidade também se
resumia a isso. Com o advento da manifestação artística e simbólica e do desenvolvimento
da linguagem podemos dizer que expandimos nossa existência para muito além desses 3
pilares. Mas eles ainda ditam muito do que fazemos… Ainda somos animais, apesar da
sofisticação.
Hoje quero focar em um desses pilares: a alimentação. Comer atravessa o dia, organiza
horários, acompanha encontros, consola em tempos difíceis... Poucas experiências são tão
cotidianas e, ao mesmo tempo, tão carregadas de significado. É justamente por isso que a
relação com a comida é tão perpassada.
Na minha trajetória clínica tive a honra de trabalhar com muitas pessoas que sofriam com
problemas alimentares: pessoas obesas, com compulsão alimentar, bulimia e doenças
inflamatórias intestinais. Pude também trabalhar com pessoas que não tinham doenças ou
transtornos, mas algo chamado ‘’comer transtornado’’, que basicamente se refere a uma
relação com a comida atravessada por tensão constante, vigilância excessiva e perda de
espontaneidade. E eu digo ‘’honra’’ porque meu trabalho ajudou pessoas a terem
novamente uma relação saudável com a alimentação, algo tão importante para nós.
Algo que esse percurso clínico me ensinou é que a mudança raramente acontece quando
tratamos a comida como inimiga ou quando tentamos corrigi-la à força. Quando abraçamos
ela como ela é, um recurso de alimentação e celebrações, e paramos de utilizá-la para
funções que não são dela, como: regular emoções, sentir um prazer momentâneo ou
oferecer alívio para um sofrimento. É ai que começamos a ter uma relação saudável, e
flexível. Nosso corpo tem que ser escutado e não vigiado, e essa é uma mudança sutil.
Alimentação: problema ou solução? problema e solução? confusão?
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